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Saturados contra poli-saturados

obesidade perigosa - Saturados contra poli-saturados

Saturados contra poli-saturados

Tem-se discutido muito, ultimamente, se as pessoas devem ou não passar de uma alimentação com elevado teor de gorduras saturadas para outra com elevado teor de poli-insaturados. As organizações com interesses nos resultados da controvérsia a indústria de lacticínios, por um lado, e os fabricantes e vendedores de margarinas e óleos poli-insaturados, por outro lançaram-se no debate. Eis alguns dos argumentos mais vulgares apresentados pela indústria dos lacticínios.Uma grande ingestão de poli-insaturados poderá ser prejudicial. Embora possam surgir, a longo prazo, efeitos secundários da ingestão de gorduras poli-insaturadas, não se descobriu efeito algum tão grave como a doença cardíaca. A sugestão de que os poli-insaturados poderiam predispor as pessoas a contrair cancro foi actualmente posta de parte. De facto, há provas de que a ingestão de mais ácido linoleico poderá ser benéfico para a saúde, reduzindo a tendência para a trombose. Seja como for, ninguém nos induz a ingerir grande quantidade de gorduras poli-insaturadas, apenas se sugere que se substituam por elas algumas das gorduras saturadas.

«Os estudos que condenam as gorduras saturadas estão mal elaborados, e apenas têm uma importância muito relativa.» Embora isto possa ser verdade em termos estritamente científicos, as provas examinadas são as melhores que se podem obter. Qualquer tentativa controlada destinada a demonstrar a ligação conclusivamente poderia ser pouco ética. Seria necessário encontrar milhares de pessoas dispostas a fazer uma alimentação com elevado teor de gorduras saturadas, durante anos, para verificar se morria de doença cardíaca um número delas superior ao normal. Com base nos conhecimentos que possuímos, o risco seria muito elevado.

Efectivamente, já se fez algo neste género, durante um estudo de 12 anos efectuado em dois hospitais psiquiátricos de Helsínquia. Num dos hospitais foi dado aos pacientes uma alimentação com cerca de uma vez e meia mais gorduras poli-insaturadas que saturadas. Durante os primeiros 6 anos, os níveis de colesterol baixaram, e houve menos ataques cardíacos que os verificados no outro hospital, onde se fazia a alimentação habitual rica em gorduras saturadas. Durante o período de 6 anos seguintes, houve uma troca de alimentação.

Desta vez inverteram-se os resultados do primeiro período, e o outro grupo de pacientes sofreu menor número de ataques cardíacos.A mudança para o uso de poli-insaturados poderia ser desastrosa para a agricultura e para as indústrias alimentares.» Esta afirmação não parece ser plausível. Qualquer mudança nos hábitos alimentares verificar-se-ia gradualmente, e a indústria alimentar teria tempo de se adaptar. As pessoas têm de comer qualquer coisa, que terá. naturalmente, de ser cultivada pelos agricultores e processada pela indústria alimentar.

«A redução dos níveis de colesterol no sangue por meio de medicamentos não fez diminuir o número de ataques cardíacos.» Isto é irrelevante. Os medicamentos não imitam necessariamente uma alteração de alimentação, e têm efeitos secundários que distorcem a imagem.

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