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Alimentação e doenças

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Alimentação e doenças

Se tivesse vivido na Europa ou na América do Norte há 80 anos, em vez de viver hoje, as mais graves ameaças à sua vida teriam sido as doenças infecciosas, como a difteria, a gripe ou a tuberculose. Por volta de 1900 mais de um quarto das crianças do sexo masculino morria de uma doença infecciosa, antes dos 15 anos. E quatro de cada dez que conseguiam atingir a idade adulta morriam de doença infecciosa antes dos 65 anos. Nos últimos 80 anos, o quadro alterou-se no que se refere aos jovens. Actualmente só 2% dos rapazes não conseguem alcançar os 15 anos. Mas as probabilidades de sobrevivência não melhoraram grandemente entre os adultos. Apesar dos modernos medicamentos e vacinas que protegem as pessoas de doenças como a tuberculose e a gripe, um em cada quatro trabalhadores não atinge a idade da reforma aos 65 anos. O maior assassino dos homens desse grupo etário é a doença cardíaca; o segundo, o cancro. No que se refere às mulheres, morrem mais de cancro da mama, nas idades compreendidas entre os 35 e os 54 anos, do que de qualquer outra doença. Tanto com as doenças cardíacas como o cancro, os especialistas estão cada vez mais convencidos de que a alimentação tem muito a ver com as probabilidades de as pessoas serem vítimas dessas doenças. No que se refere às doenças cardíacas, o tabaco, a falta de exercício, a tensão arterial elevada e a hereditariedade também são importantes, mas a alimentação dos países mais prósperos também é culpada. O papel da alimentação na origem do cancro é mais controverso mas aumentam as provas de que a ingestão de demasiadas gorduras poderá aumentar as probabilidades de formação de certos cancros.

No entanto, não são apenas as doenças cardíacas e cancerosas que se encontram ligadas à alimentação. Uma das pragas dos tempos modernos é a obesidade que contribui também para as doenças cardíacas. Por estranho que pareça, o total de alimentos ingeridos actualmente é inferior ao da geração anterior, mas a obesidade constitui um problema maior. Porquê? Em parte, deve-se ao facto de as pessoas serem menos activas do que eram, queimando, portanto, menos energia. Daí ser menor o apetite. Mas, em vez de ingerirmos menos alimentos que produzem grande dose de energia como as gorduras, o açúcar e o álcool cortamos os alimentos que enchem, como o pão e as batatas. Olhando para o prato, pode parecer que estamos a comer menos, mas as aparências iludem. Na realidade, existe mais energia mais calorias no prato do que aquela de que necessitamos, e por isso engordamos. Além das doenças já referidas, a nossa actual alimentação é susceptível de provocar também doenças como os cálculos biliares, a diabetes e as apoplexias. Embora menos impressionantes, outras situações ligadas à alimentação, como as enxaquecas, alergias, fraca resistência à doença e sensação de fraqueza geral podem fazer com que a vida tenha menos encanto. Seria insensato, no entanto, atribuir todos os males modernos da alimentação. Na realidade, comparando aquilo que agora comemos com o que os nossos bisavôs comiam provavelmente há 100 anos, estamos até muito bem e a nossa saúde prova-o. Nos países desenvolvidos raramente encontramos doenças provocadas por deficiências alimentares, nem pessoas a morrer de fome, como acontecia antigamente. A melhoria da nossa alimentação tornou-nos a todos mais fortes e capazes de lutar contra as doenças infecciosas que matavam tanta gente no tempo dos nossos bisavôs. Simplesmente houve um desequilíbrio para o lado oposto: agora estamos a comer demasiado «bem», fomos longe de mais na alimentação da prosperidade, e a saúde ressente-se.

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